O João, felino com 6 anos de idade, foi-nos apresentado depois de ter estado internado noutra clínica e algaliado durante mais de duas semanas para tentar corrigir um quadro clínico de obstrução urinária por acumulação de cálculos vesicais.
No exame clínico foi diagnosticada uma cistite purulenta com um espessamento brutal da parede da bexiga e, por esta razão, o João não conseguia urinar porque a urina estava muito espessa. Decidimos fazer a marsupialização da bexiga com a colocação de um cateter de Foley através do qual se fazia a lavagem diária da bexiga. Após dez dias de lavagens e da administração de antibióticos foi retirado o cateter, na esperança de que já seria possível a micção normal. O João ainda conseguiu urinar normalmente durante dois dias mas depois ficou novamente obstruído. Como a causa da obstrução foi a inflamação e posterior estreitamento da uretra, devido ao prolongado período de algaliação e infecção, optámos por recorrer a uma técnica cirúrgica que nos permite abrir a uretra, num segmento de maior diâmetro, directamente no períneo. Chama-se por isso Uretrostomia Perineal. Vamos ilustrar e resumir a técnica cirúrgica:
Os gatos inteiros são castrados durante a intervenção.





         

Neste caso ainda foi possível algaliar o João, o que facilita a identificação da uretra durante o procedimento cirúrgico.
A cirurgia consiste na exteriorização do pénis até ao nível das glândulas bulbo uretrais e na abertura da uretra numa extensão de aproximadamente 1 cm.





          

Depois desta incisão feita na uretra segue-se a sutura da mesma à pele do períneo. Esta é uma das fases mais importantes no sucesso da intervenção.





         

Este é o aspecto final após a cirurgia. A recuperação desta intervenção foi rápida e o João após um ano de cirurgia nunca mais sofreu nenhum problema nas vias urinárias.



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